Criança pequena estendendo a mão gentilmente para brincar com brinquedo colorido em ambiente acolhedor

Morder. Bater. Apertar com força quem está por perto. Essas atitudes assustam quem cuida de uma criança pequena, em especial entre 0 e 4 anos. De repente, aquele ser tão delicado demonstra uma força que surpreende – e um jeito de expressar sentimentos que deixa adultos de cabelo em pé. Mas afinal, por que a criança direciona as mãos para o outro, como se estivesse manifestando a raiva com os próprios dedos ou os dentes?

Esse cenário é mais comum do que parece. Crianças em idade pré-verbal ou no início das primeiras palavras muitas vezes encontram no corpo a principal forma de expressão das emoções. Sente-se frustrada porque não consegue pegar um brinquedo? Bate. Fica com ciúmes do bebê recém-chegado? Morde. A vontade de se comunicar está ali, mas faltam ferramentas. E é nessa fase que o exemplo ganha um poder imenso.

O desafio das emoções intensas na infância

Dr. André Moura, psicólogo clínico com foco em desenvolvimento infantil, explica que, na primeira infância, o cérebro da criança está aprendendo a lidar com emoções como raiva, tristeza e frustração. O autocontrole ainda é um músculo frágil. O adulto, por vezes, espera maturidade de quem mal domina a fala. Segundo especialistas, a agressividade física quase nunca nasce do desejo real de machucar, mas de um pedido por atenção ou apoio.

É importante lembrar: para crianças pequenas, emoções são monstruosas – enormes, barulhentas, desorganizadas. Elas sentem com o corpo inteiro. Por isso, muitas vezes, o que parece um ataque é, na verdade, uma tentativa de pedir colo, de pedir nome para aquilo que sentem.

Seu filho não consegue expressar a frustração. Ele demonstra no corpo o que não pode dizer com palavras.

Como histórias ajudam a modelar comportamentos?

Nesse ponto, entra o poder silencioso das histórias. Ouvir uma narrativa é muito mais do que uma diversão pré-sono. Quando uma criança se coloca no lugar de um personagem, ela testa novos jeitos de existir. Se o protagonista sente raiva, age com agressividade e, logo depois, aprende outras formas de resolver o problema, a criança entende: "Também posso escolher caminhos diferentes para minhas mãos e minha boca."

A plataforma Dormir com Historinhas tem investido intensamente em contar este tipo de caminho. Suas histórias não apenas distraem: são desenhadas para modelar o comportamento desejado e mostrar que todo sentimento é legítimo, mas nem toda ação precisa machucar. Quando o pequeno participa da trajetória de um personagem que descobre as “mãos que ajudam”, passa a encontrar esse repertório dentro de si – ainda que, no começo, só por alguns segundos por vez.

A literatura infantil, segundo especialistas, tem força de transformação. Um estudo publicado no acervo sobre educação e valores mostra que crianças expostas a histórias que falam sobre gentileza, empatia e resolução de conflitos tendem a apresentar menos comportamentos agressivos no dia a dia.

Criança pequena segurando suavemente a mão de outra criança

Histórias como espelho: por que a criança aprende melhor assim?

O modo como histórias infantis são estruturadas favorece a identificação. Não se trata apenas de ensinar uma lição, mas de criar empatia entre leitor e personagem. Quando uma criança que tem o costume de morder ou bater acompanha o dilema de outro pequeno que enfrenta o mesmo desafio, ela se sente compreendida – e começa a desejar outros finais para suas próprias situações.

  • A narrativa oferece distância emocional: ao observar uma história, a criança não se sente julgada, mas curiosa.
  • Personagens modelam comportamentos concretos: toques gentis, abraços, palavras que acalmam.
  • O adulto pode conversar a partir da história: perguntas como “O que você acha que o personagem poderia fazer com as mãos para ajudar?” fazem a criança refletir no próprio ritmo.

Além disso, como explica a pedagoga Simone Lima, "ao repetir histórias que destacam valores positivos, a criança internaliza exemplos de autocontrole e respeito, mesmo antes de conseguir nomear essas experiências". O vínculo com o adulto no momento da leitura deixa tudo ainda mais potente.

Como transformar "mãos zangadas" em "mãos que ajudam"?

O processo demanda paciência, constância e um repertório rico de exemplos práticos. Dormir com Historinhas constrói seu acervo seguindo estes pilares:

  • Histórias que abordam conflitos cotidianos (ciúmes, frustração, convivência entre irmãos)
  • Narrativas que mostram como pedir ajuda ou afastar-se em vez de bater ou morder
  • Enredos onde o carinho, o toque suave e a empatia são recompensados de forma positiva

Em situações do dia a dia, o adulto pode:

  • Lembrar a história lida juntos ao notar sinais de irritação (“Lembra do personagem que usou as mãos para ajudar a construir algo bonito?”)
  • Nomear emoções (“Parece que você está bravo. Vamos achar juntos outra coisa para fazer com as mãos?”)
  • Modelar toques suaves com brincadeiras guiadas (“Vamos fazer um carinho em mim, como na história?”)
Histórias servem de ponte entre o sentir e o agir. A criança aprende, de novo, a possibilidade do gesto gentil.

O papel da parentalidade consciente

Trabalhar comportamentos como morder, bater ou empurrar exige do adulto não só firmeza nos limites, mas, acima de tudo, empatia. O caminho não é o medo da punição, mas o aprendizado afetivo. O projeto Dormir com Historinhas segue essa linha, fortalecendo o cuidado e o vínculo, como é defendido nos temas de parentalidade consciente e respeito mútuo.

Nesse tipo de abordagem, grandes aliados são:

  • Escuta ativa e validação dos sentimentos da criança
  • Nomeação das emoções (“Você ficou bravo, eu entendi”)
  • Oferta de alternativas concretas (“Quando ficar assim de novo, pode chamar por mim ou abraçar seu bichinho”)
  • Leitura de histórias consistentes mostrando outros finais possíveis

Morder e bater não definem a criança

Educar alguém que, às vezes, morde ou bate é um compromisso de cuidado – e também de esperança. Cada história lida renova a certeza de que comportamentos podem ser transformados. Crianças pequenas se exprimem de forma intensa porque tudo é novidade e exagero. Morder ou bater não define quem elas são, mas compõe um capítulo que merece ser reescrito todos os dias, com criatividade e afeto.

Menina pequena lendo livro ilustrado sobre mãos gentis

Dicas práticas para o adulto aplicar hoje

  • Ao perceber sinais de tensão, redirecione as mãos da criança para atividades construtivas (montar blocos, amassar massinha, construir juntos)
  • Leia ou conte uma história sobre amizade e toque gentil antes de dormir, reforçando que as mãos podem consolar e criar
  • Reforce os bons exemplos com elogios sinceros (“Você usou as mãos para ajudar o amigo, fiquei feliz!”)
  • Procure abordar o comportamento sem rótulos, focando no que pode ser feito diferente numa próxima vez

Para casos em que o comportamento se repete com muita frequência ou causa sofrimento, pode ser relevante buscar orientações específicas em temas como empatia infantil ou acompanhar passos de inteligência emocional desde cedo. Esses conteúdos dialogam profundamente com as propostas das histórias do Dormir com Historinhas, que trata o desenvolvimento emocional com seriedade e muito carinho.

Conclusão

A famosa "criança que morde" ou “bate” está mostrando, no fundo, um pedido de ajuda, de quem aprende a sentir, mas ainda não sabe como agir. O caminho é longo, mas cheio de possibilidades a cada história. Leitura transforma gestos. Com um conteúdo cuidadosamente pensado, como o do Dormir com Historinhas, o adulto encontra instrumentos para ensinar, pelo lúdico, a magia do toque gentil e das mãos que ajudam. E cada noite pode ser nova chance de começar essa mudança, uma historinha por vez.

Quer experimentar esse universo e tornar o momento do sono uma verdadeira aula de empatia? Descubra os conteúdos exclusivos e os benefícios de criar memórias ricas com as crianças através da assinatura do Dormir com Historinhas – onde cada conto é uma semente para um futuro mais afetuoso. Saiba mais e veja como histórias podem transformar o cotidiano da sua família.

Perguntas frequentes

Por que algumas crianças mordem ou batem?

Geralmente, as crianças pequenas recorrem a morder ou bater porque não conseguem expressar emoções como frustração, medo ou ciúmes por meio de palavras. É uma forma corporal e imediata de comunicar o que sentem, principalmente em fases em que o vocabulário ainda é limitado. Também é comum nessas idades testar limites e reagir ao ambiente novo ou desafiador.

Como ensinar meu filho a não morder?

Vale investir em conversas simples, nomear sentimentos e, principalmente, usar histórias sobre como reagir de maneira positiva. Mostre exemplos de toques gentis, ofereça alternativas (“vamos usar as mãos para construir, não para machucar”) e elogie as atitudes construtivas. Estabeleça limites claros, mas sem punição física, optando por diálogo, acolhimento e repetição dos bons modelos na rotina.

Histórias ajudam a evitar que a criança bata?

Sim! Histórias infantis aproximam a criança de situações parecidas com as vividas por ela, mostrando novas formas de agir e sentir. Ver o personagem resolver situações com diálogo, carinho ou pedir ajuda amplia o repertório comportamental do pequeno e facilita a imitação de atitudes positivas.

O que fazer quando meu filho morde outros?

Acalme a criança e o colega, evite punição agressiva e nomeie o sentimento (“Você estava bravo?”). Mostre o que fazer depois: pedir desculpas, demonstrar respeito e, se possível, ler uma história relacionada ao tema naquele dia. Reforce o que pode ser feito com as mãos em momentos difíceis, tornando o gesto de ajudar mais valioso que o de machucar.

Quais alternativas às "mãos zangadas" existem?

Incentive a criança a usar as mãos para construir, desenhar, abraçar, cuidar de um brinquedo ou simplesmente segurar a mão de quem ama. Conte histórias e brinque de fazer carinho, mostre jogos onde mãos colaboram e celebre cada pequena conquista de autocontrole. Esses gestos, quando valorizados diariamente, substituem aos poucos a agressividade e transformam relações.

Para aprender mais sobre educação afetiva e manejo de limites, consulte também as orientações de parentalidade positiva do Dormir com Historinhas, e faça da leitura um superpoder na rotina da família.

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Sobre o Autor

Dormir com Historinhas

O Dormir com Historinhas é uma plataforma digital de histórias infantis para promover educação, conexão familiar e desenvolvimento emocional através da narrativa lida.

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